terça-feira, 26 de outubro de 2010
A tirania da felicidade
de euforia/ A felicidade é uma obrigação”. Os versos da música
“É proibido sofrer”, do cantor carioca Leoni, evidenciam um fenômeno contemporâneo que vem chamando a atenção de pesquisadores e acadêmicos: o imperativo da felicidade.
Esse conceito expressa que, mais do que nunca, ser feliz é um direito de todos e compromisso moral de cada indivíduo. Segundo essa definição, a felicidade deixou de ser um estado de exceção; não mais está atrelada à sorte, ao destino ou à vontade de deuses. Passou a depender apenas do esforço de cada um em gerir suas emoções e pensamentos contra o sofrimento. “Se um indivíduo sofre, a culpa é dele por não saber agenciar sua própria alegria. Ele é obrigado a aparentar entusiasmo e alardear uma personalidade extrovertida. Não há espaço para enunciar o sofrimento”, destaca João Freire Filho, professor da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ e organizador do seminário “Ser feliz hoje”, que, nos dias 25 e 26 de agosto, debateu o imperativo da felicidade.
Ela é incentivada em anúncios publicitários, na literatura de autoajuda, em trabalhos acadêmicos e políticas governamentais. Já se cogita até mesmo utilizar a felicidade como um dos mecanismos de medição do desenvolvimento de um país. Criado em 1972, no Butão, território do Himalaia, o conceito da Felicidade Interna Bruta (FIB), que vem ganhando adeptos em todo o mundo, calcula a riqueza de uma nação a partir de fatores como bem-estar social, qualidade de vida e sustentabilidade ambiental, e não apenas com base em aspectos econômicos.
No Brasil, o assunto também anda em alta. Tanto é que, em julho, foi protocolada, no Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Felicidade. Apresentada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), a PEC pretende alterar o artigo 6º da Constituição, que trata dos direitos sociais da população. O objetivo é incluir a felicidade entre as garantias asseguradas pelo texto. A campanha em favor do projeto, intitulada “Movimento + Feliz”, arregimentou artistas e contou com a adesão de grandes empresas dos setores industrial, comercial e de serviços.
Outro dado comprovador do espaço que a busca pela felicidade ocupa na vida contemporânea é o bom êxito de livros de autoajuda. São inúmeros os títulos que funcionam como verdadeiros manuais para a obtenção da alegria plena. Somente nos Estados Unidos da América (EUA), esse tipo de literatura movimenta cerca de 580 milhões de dólares por ano. “A Psicologia Positiva, nascida na virada do século XX para o XXI, representa bem o dever moral de ser feliz. Ela valoriza os pontos fortes do ser humano, com a meta de fazer as pessoas não pararem de se sentir contentes. Não faço apologia à melancolia, mas esse imperativo da felicidade traz problemas para
aqueles que não conseguem dar conta da tarefa de ser feliz. Além disso, ele patologiza determinados comportamentos, como a timidez, por exemplo, e impede outras possibilidades de existência”, pontua João Freire, que também é organizador do livro Ser feliz hoje: reflexões sobre o imperativo da felicidade (Editora FGV, 2010), lançado no evento “Ser feliz”.
Felicidade: um projeto atual
O conceito de felicidade foi se modificando ao longo do tempo. Na Antiguidade, ser feliz significava ausência de dor, prazer e satisfação. Com o Cristianismo, a felicidade ideal tornou-se um objetivo a ser alcançado apenas em outro plano. No Iluminismo, entretanto, o panorama se altera: “O discurso iluminista trouxe à tona a ideia de que era possível promover a felicidade ampla, geral e irrestrita. Ela passa a ser um bem que deriva do fato de ‘sermos todos iguais’. A noção de igualdade como condição prévia para a cidadania é o que agencia o imperativo da felicidade”, explica Joel Birman, psiquiatra do Instituto de Psicologia (IP) da UFRJ e palestrante do seminário “Ser feliz hoje”.
Nesse contexto, como é possível gerir os conflitos gerados entre projetos individuais de felicidade e aqueles mais amplos, que visam ao bem-estar social? Esse é o principal questionamento de Gilberto Velho, antropólogo do Museu Nacional (MN) da UFRJ. “O crucial é entender se os projetos individuais dialogam ou respeitam as questões de responsabilidade social. Projetos de natureza distinta são, muitas vezes, alvo de conflitos de interesse. Até que ponto o Estado e o poder público podem mediálos, dado que a sociedade é desigual e marcada pela forte aspiração de ascensão social?”, questiona o professor.
Ser feliz é...
“Eu quero morrer... Só isso que tenho a dizer. (...) Preciso emagrecer. Preciso me livrar dessas banhas nojentas que me fazem ser um ser inferior.” Para a adolescente que escreveu esse desabafo em um dos mais famosos blogs próanorexia da Internet, ser feliz é estar magra. Assim como ela, entre 10% e 15% da população feminina mundial apresentam algum grau de distúrbio alimentar. A busca pelo corpo perfeito é, na opinião de Maria Paula Sibilia, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em Tecnologias Digitais, Imagens e Práticas Corporais, um dos projetos mais evidentes da felicidade contemporânea.
A pesquisadora destaca que a obsessão pela boa forma física produz o desprezo pelos processos naturais de envelhecimento do corpo. “As pessoas querem encarnar a perfeição, é como se o corpo fosse uma imagem a ser depurada. As imperfeições, entretanto, são inerentes ao ser humano. A corrida pelo físico ideal se tornou o centro da vida de muitos indivíduos. Para eles, o mero fato de viver já é uma desvantagem, visto que a ordem natural da vida é o desgaste e a degeneração do próprio corpo”, explica a professora do Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF.
A consequência do culto aos estereótipos de beleza é, de acordo com Maria Paula, sombria. O corpo passa a ser fonte de desgostos e inquietações. Explodem, então, casos de depressão, anorexia, bulimia e outros distúrbios, que vão de encontro, em última instância, à premissa da felicidade. “Os sujeitos contemporâneos acreditam, sobretudo, no valor da imagem – tanto a do espelho como a do olhar alheio. Nesse contexto, o corpo sofre e é punido. Não basta consumir, olhar os corpos perfeitos; devemos imitá-los. O indivíduo vira um campo de batalha”, alerta Sibilia, autora, entre outros, de O show do eu: a intimidade como espetáculo (Nova Fronteira, 2008).
A mídia e o mundo das celebridades veiculado por ela acabam por contribuir com a criação de modelos ideais de beleza e de vida. Vera Regina Veiga França, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) presente ao seminário “Ser feliz hoje”, lembra que heróis e famosos, desde os gladiadores romanos até as sociedades de corte, sempre exerceram fascínio sobre os anônimos. A diferença é que, atualmente, as celebridades são mais próximas e descartáveis. “As estrelas de hoje suscitam, além de admiração, nosso olhar crítico. Frequentemente vemos que nossos ídolos têm pés de barro. O jogador Ronaldo, por exemplo, faz um casamento em um palácio que se transforma em ‘barraco’. Vera Fisher tem problemas com drogas e nem todas as suas plásticas foram bem-sucedidas. Ou seja, apesar de serem referências de felicidade, as estrelas têm falhas e defeitos, e isso nos tranquiliza”, observa a especialista em Processos Interativos Midiáticos.
O efeito “soma”
Em sua obra mais conhecida, o livro Admirável Mundo Novo, escrito na década de 1930, o autor inglês Aldous Huxley narrou um hipotético futuro em que as pessoas recorriam a uma droga para fugirem de seus problemas e, assim, preservarem a ordem dominante vigente. O “soma” era fornecido para os trabalhadores suportarem os serviços pesados e utilizado pelas classes superiores como meio de obter diversão e felicidade.
O cenário futurista de Huxley não se concretizou, mas as drogas são, hoje, um importante mecanismo de fuga da realidade e obtenção de prazer imediato. “Há um culto às drogas em nossa sociedade. Tanto as ilegais como aquelas receitadas por psiquiatras são voltadas para melhorar a autonomia da performance social do indivíduo”, opina Joel Birman, do IP-UFRJ, complementando que a depressão e a síndrome do pânico são dois transtornos típicos da frustração gerada pelo fracasso diante da imposição de ser feliz.
Medicamentos recomendados para pacientes com narcolepsia são ingeridos por caminhoneiros, médicos plantonistas e pilotos de avião para se manterem acordados
por mais tempo. Jovens fazem uso de antidepressivos e calmantes para deixarem a inibição e o estresse de lado. Para Benílton Carlos Bezerra Jr., professor do Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), esses exemplos comprovam que a droga deixou de ser um alívio para doenças e passou a funcionar como trampolim para o bem-estar individual. “A indústria dos psicofármacos introduziu a ideia de que a regulação biológica da experiência subjetiva é desejável. Até pouco tempo, tomar remédio era sinônimo de debilidade
psicológica. Hoje, negá-lo é visto com maus olhos. Com o imperativo da felicidade, até a Psiquiatria adquiriu a função de promover satisfação, alegria e felicidade”, conclui o especialista em Saúde Coletiva.
Por: Aline Durães, extraído do Jornal da UFRJ, n°56, Setembro/Outubro de 2010.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Informacoes sobre o BOI A BESSA
CARAVANA BOI À BESSA
Djewry, aí vão as informações que poderão ajudar a turma de Niterói a se decidir sobre o Boi.
1. Conseguimos um barco grande, com limite máximo definido pela Capitania, de 90 passageiros. Como da outra vez, por segurança e conforto, fixamos como limite 50 pessoas.
2. Ficamos de te enviar fotos do barco, só que o mesmo está em viagem pelo baixo-amazonas, aliás, foi a Parintins e só volta depois do carnaval. O cara queria mostrar um similar, mas nós queremos ver o próprio, é claro, então ficou combinado que depois do carnaval vamos vê-lo e aí a gente te envia. Mas está dada prioridade para nós;
3. O barco será alugado para:
a) Sair de Manaus na quinta-feira às 15 horas (dá uma checada nos vôos da Gol e Tam pra ver se esse horário de saída do barco assegura uma vinda de alguém daí, a tempo de chegar para esse horário (tem vôos chegando do Rio pelo meio dia e se houver atraso ainda assim está garantido. Caso contrário podemos esticar um pouquinho mais a saída. Essa hora é boa porque chegaremos mais cedo em Paris, mais ou menos 9 ou dez da manhã – coisa que pode ser ajustada.
b) Viajar 18 horas até Paris, ficar ancorado durante os 3 dias de boi, ou seja, sexta, sábado e domingo, saindo segunda de madrugada, logo após o fim do festival. Nossa sugestão, que cada vez mais ganha adeptos é a seguinte: diferentemente daquele ano, este ano iríamos na quinta-feira e não pegaríamos a festa do visitante e também não voltaríamos na madrugada do domingo, no ultimo dia, mas no sábado de madrugada, logo após o encerramento do segundo dia. Razões: 1ª. Economiza tempo e isso ajuda a quem trabalha aqui; 2ª. O tráfego de barcos não é enorme como no domingo. Infelizmente não economiza no aluguel porque o cara não aluga por diária, mas pacote fechado de levar e buscar. Está crescendo essa proposta, voltar na madrugada de domingo, ou seja, no final da apresentação de sábado. Não alugar por diária Pra gente ainda é negócio porque as diárias são muito caras, já que as diárias não incluem diesel nem tripulação.
c) Viajar 32 horas de volta até Manaus chegando segunda-feira a noite; Pela proposta original de ficar os 3 dias lá, chegaremos terça de manhã e atrapalha o trabalho da moçada aqui. Ficando só dois dias em Paris, pode ajustar a volta do pessoal daí que pode pegar vôo na segunda mesmo por volta das 2 da tarde (confirma Mão/Rio TAM e GOL) ou da noite que é mais garantido.
d) Preço do aluguel e o que está incluído: 12.500 mil reais.
1. Viagem de ida e volta MAO/PARIS/MAO;
2. Café da manhã, almoço e jantar durante a viagem de ida e de volta
3. Café da manhã durante os dias em que o barco permanecer ancorado em Paris (portanto, em Paris o barco não dá almoço e nem jantar, cada um come em restaurante, a cidade tem vários ou em casa de amigo, etc)
4. Combustível para ida e volta e permanência;
5. Tripulação armada (para os leigos, armada é devidamente credenciada pela capitania);
6. Cozinheira
7. A bebida será por conta de cada bebedor, inclusive refrigerante. O barco dá somente água. Portanto, fique claro: quem gosta de refrigerante leve os seus, de cerveja (e outras alcoólicas) que leve as suas.
8. Nosso cálculo: o rateio será de R$250 por pessoa. Fica de fora, é claro o custo dos ingressos. Vamos lá:
9. INGRESSOS PARA O BUMBÓDROMO: Como são 3 dias (no caso provavelmente serão dois dias para voltarmos mais cedo) fica a critério de cada um ir os dois ou só um dia. Para quem nunca foi, acho que dois dias é tranqüilo, para quem já conhece, um ta bom, até porque há telões enormes na praça do Bumbódromo que permite ver a apresentação com perfeição.
10. O preço dos ingressos variam, é claro, de acordo com a posição. Veja:
VALORES COMERCIALIZADOS: | |
| Fonte: site Tucunaré Turismo citado abaixo |
As arquibancadas e as cadeiras são as melhores porque ficam de frente. Esses valores são para os 3 dias mas se pode comprar para um ou dois dias só. Aí é só dividir e achar o valor unitário.
Os ingressos podem ser comprados com antecedência pela “Tucunaré Turismo” (agência oficial de turismo que trabalha com os Bois), no site http://www.tucunareturismo.com.br/ . Tem aquele esquema tradicional dos cambistas que compram bastante para faltar e depois vender mais caro, mas que inexplicavelmente na hora, na porta do Bumbódromo, fica até mais barato as vezes – ingressos do segundo dia mais ainda.
RECOMENDAÇÃO: TODOS OS INTERESSADOS DEVEM CONSULTAR O SITE DA TUCUNARÉ. HÁ OUTROS SITES DE PARINTINS PARA BUSCAS DE INFORMAÇÃO.
POR HORA É TUDO, PRIMÃO QUERIDO MAIS QUERIDO QUE O NAÇA, LEÃO DOS ESTÁDIOS DE FUTEBOL DE PARINTINS. DE DEUS PROVÉM!!!
Ah, que tal o nome da Caravana do Boi deste Ano: BOI À BESSA. Gostou?
Outra recomendação para os neófitos, o Garantido é o Boi do Povão!
[SHIFT]
Complicado isso!
Não dá para enteder como determinadas pessoas agem de forma tão violenta quando querem alguma coisa em troca. Poderiam cativar em vez de "forçar a barra"
para conseguirem.
Generosidade? Pode ser que falte um pouco!
Mas como nem todo mundo é perfeito, temos que ser fortes o suficiente para suportar todas essas coisas.
Não vou narrar aqui nenhum caso porque é muito difícil tipificar. Mas é algo como uma cadeia trófica, ou, como diz o ditado: "É cobra engolindo cobra".
Merda foi o nome que eu dei para este texto, porque merda é a coisa mais descartável e insignificante que existe. É pra lá que se mandam as pessoas. Poderia
existir um carimbo "vai pra merda" ou "vai à merda", tanto faz! Merda é merda. Mas chega de falar de(ssa) merda - falar de merda é fácil - e vai procurar algo mais
útil pra fazer. Fui!
Voltei porque não consigo parar de escrever. Escrever é tudo. É manisfestação do pensamento de forma suave e discreta. E o que é melhor, introspectiva.
Não xingue! Dizia a velha senhora. Mas como não xingar? Já chamei de merda este texto! Qual seria o antônimo de 'merda'? Ai Jesus!?
Seja virtuoso. Talvez seja um bom caminho para se chegar...(me desconcentrei).
Agora que a poeira baixou, já posso pensar de maneira mais sistemática dos projetos (pessoais) vindouros...Longa pausa!
Voltei. Não sei se a poeira baixou de fato, mas acho que essa idéia de escrever funciona direitinho. É como correr. Relaxa.
Tá quase na hora de mudar o título deste texto, uma vez que a vontade mandar ou ir pra m está passando. O chato é que a vontade de escrever parece que vai junto.
Nessas horas bate uma "vergonhinhazinha" ao saber que alguém, seja lá quem for, venha ler isso tudo. Mas agora, "já era". "Sacou do punhal tem que sangrar". Fui!!!
Mas volto!
SEM CONEXÃO
Quero dizer que estou começando de novo a escrever um montão de coisas que não tem nada a ver com o que já foi escrito acima. Nada de pensar muito,
procurando ser mais intelectual e deixar as palavras fluirem livremente sem preocupação com possíveis erros ou tropeços gramaticais. Tipo metralhadora giratória,
como diz o outro. Ou mesmo "falar pelos cotovelos". Loucura! Como falar pelos cotovelos? Mas ja ouvi falar em "falar pelos cutuvelos". Tá vendo, escrevi
"cutuvelos".
Daí perguntei na internet: Como surgiu a expressão “falar pelos cotovelos”? E a resposta foi: Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta - A frase, que
significa “falar demais”, surgiu do costume que as pessoas muito falantes têm de tocar o interlocutor no cotovelo a fim de chamar mais a atenção. O folclorista
brasileiro Câmara Cascudo fazia referência às mulheres do sertão nordestino, que à noite, na cama com os maridos, tocavam-nos para pedir reconciliação depois de
alguma briga.
Hoje surgiu mas um problema que me incomoda muito, não só a mim como a todos que trabalham aqui: Espaço físico.
O governo criou uma lei (REUNE) que obriga as universidades a aumentarem o número de vagas, carga horária, etc. e, certamente, liberou recursos para
investimentos em infraestrutura. O que se observa é um "inchaço" que causa desconforto a todos provocando uma queda de rendimento e consequentemente a
qualidade dos serviços. Problemas de gestão? Possivelmente, e que tem a ver com a própria estrutura arcaica do Serviço Público.
De certa forma, minha postura diante do ocorrido hoje, foi um pouco grotesca mas inevitável.
Como conciliar?
É hora dos mais velhos refletirem e repensarem o modelo existente para que os mais jovens ajam logo. Não temos tempo a perder.
[SHIFT]
Experiência profissional X Formação Acadêmica.
Uma outra questão difícil de conciliar é a distribuição dos recursos humanos quanto a experiência e formação. Ela é extremada. Em alguns setores só tem
"analfabeto" e em outros, "doutores". Os primeiros são profissionais com pouca formação acadêmica e que entraram no mercado de trabalho ainda muito jovens e
adquiriram experiência no exercício. Já os de "notório saber" passam boa parte da vida em busca do conhecimento teórico e somente iniciam alguma atividade
"prática" no final de sua formação (já não tão jovens assim).
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Outra questão muito comentada mas ainda pouco compreendida é a fragmentação que ocorrre na universidade.
Segundo o Prof. Pablo Benetti, em entervista ao Jornal da UFRJ, diz que: ..."Passei a conviver com inúmeros universos da UFRJ. Há variados campos do saber e,
muitos, de excelência. A nossa universidade contribui diretamente para o desenvolvimento nacional e existem vários projetos em interface com a sociedade. Essa
dimensão é gratificante e, ao mesmo tempo, motivo de orgulho para os membros dessa universidade. Entretanto, esse panorama não tem visibilidade por conta de
nossa maldita fragmentação. Tenho a convicção de que é possível caminhar rumo a uma verdadeira transformação dessa universidade com a superação da
fragmentação".
Obs: Isso tudo não passa de uma separação (apartheid) entre os poderosos phd's - que formam grupinhos - e os demais segregados.
[SHIFT]
"Ele voltou, o boêmio voltou novamente". Então, "mãos à obra" FDP. Queres dá uma de gostosão, então dá.
Eu como não gosto de puxa-saco, vou ficar na minha.
Hoje, felizmente, não preciso mais gastar adrenalina à toa. Nesse caso, é melhor ficar na retaguarda.
É difícil conviver com uma situação dessa onde o labor é prejudicado por sentimentos, digamos, "negativos".
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Merba? Porque merba? O nome é merda mesmo. Disfarçar porque se ontem o Presidente falou de merda á bessa. Por falar em bessa, vou copiar uma paradinha
aqui que minha irmã enviou por e-mail:
De Paulo Leminski para:
Heyrton
ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus
Gugu
Não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino
João
Passa e volta
a cada gole
uma revolta
Daniel
Acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
Gery
Merda é veneno.
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.
Dodora
Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.
Babá
en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
moches
poemas
Lucinha (Respeita)
alvorada
alvoroço
troco minha alma
por um almoço
Marta
Eu hoje acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara
Só existe um segredo:
Tudo está na cara
Eduardo (Bessa Filho)
rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?
Coisa poética mesmo! Ou melhor, de poeta.
[SHIFT]
Enviada por e-mail:
De: Marelisa
Para: Galera da familia
Assunto: Utopia
Parte(s): Receita utópica de Manoel de Oliveira para mudar o mundo....doc
Otimismo aos 101 anos de idade...
MANOEL DE OLIVEIRA RECEBE ORDEM DO MÉRITO CULTURA E DEIXA CONTRIBUIÇÃO UTÓPICA PARA O PRESIDENTE LULA
Manoel de Oliveira recebe a Ordem do Mérito Cultural do governo brasileiro
Na cerimônia de entrega das medalhas da Ordem do Mérito Cultural, dia 25 de novembro, no Rio de Janeiro, o cineasta português Manoel de Oliveira (101 anos em
16 de dezembro de 2009), um dos homenageados, deixou um manuscrito com o seu pensamento utópico como contribuição ao governo do presidente Lula. O
cineasta também discutiu com o ministro da Cultura Juca Ferreira e Alfredo Manevi, secretário de Políticas Culturais, a possibilidade de rodar um filme no Brasil em
2010, inspirado em um conto de Machado de Assis. O Jornal da Mostra teve acesso exclusivo ao texto entregue por Manoel de Oliveira ao presidente Lula, e o
revela a seguir. Com o título “Jogo tão real como utópico, mas imaginável para filmar”, o cineasta propõe, entre outras coisas, a abolição do dinheiro para salvar a
economia em crise e as relações humanas:
´´ Este Jogo de uma realidade Utópica foi um dos meus inesperados achados, ocorrido como possível e imediata solução radical à atual crise econômica e seu reflexo
mundial, ainda que aparentemente não realizável por parecer utopia, pois como afirmava Einstein: é mais fácil desintegrar um átomo do que mudar uma mentalidade.
Teimo, porém, em transpor por escrito esta minha idéia, ainda que de aparência utópica, no preciso momento em que a atual crise assola o mundo.
Alguém me perguntará:
a)– E qual a base dessa ideia, para salvar esta situação de crise? (Ao que responderei):
b)– A crise começou com a falência do primeiro banco nos EUA, e logo outros se lhe sucederam, com um refluxo financeiro mundial. A aplicação concreta deste
pensamento teria por base a eliminação total do dinheiro, pois é nele que se consubstancia todo o mal. Eis uma tarefa, afigura-se-me, fácil, rápida e eficaz.
a)- Como eficaz?, se no dinheiro reside todo o poder de compra?
b)- Exatamente por isso. Acabaria a ideia de compra e venda e, em contrapartida, cada um manteria seu habitual lugar de trabalho, sendo o trabalho a garantia ao
direito a todas as aquisições que fossem necessárias a cada um.
a)- E cada um podia ter tudo quanto quisesse?
b)- Claro. Tudo o que lhe fosse necessário e igual para todos. Até porque assim se anularia por completo a pobreza.
a)– E o que se faria do dinheiro e das diferentes moedas que são inúmeras?
b)– Em primeiro lugar, o dinheiro apenas representa trabalho. Dinheiro é trabalho. E trabalho, sim, será sempre indispensável a este ou qualquer outro processo.
Assim como a Europa reduziu suas diferentes moedas ao Euro, assim seriam eliminados os Euros e todas as demais moedas, pois que o dinheiro, repito, não
representa senão, e só, o esforço do nosso trabalho. O dinheiro, quer em metal ou papel, seria totalmente reciclado. E, ao contrário do adágio, diríamos: nada perdeste
e muito ganhaste.
a) – E como proceder sem dinheiro, por exemplo, no caso de alguém querer comprar uma quinta... ou vendê-la por já não poder tratar mais dela?
b) – Muito simplesmente cedendo-a a quem estivesse interessado nela, tal como se fosse oferecida, mudando-se apenas o registro para o nome do novo proprietário.
a) – Quer disser então que a propriedade persistiria?
b) – Naturalmente. No novo sistema continuaria em tudo exatamente como o atual, tintim por tintim, segundo a ordem do antigo sistema, mantendo-se a posse de
bens e os diferentes tipos de postos de trabalho. Só acabava o sistema financeiro. Mas continuariam cedências, aquisições e trocas, e sempre que se oferecessem
tais casos seriam feitos em mútua e plena concordância, sem qualquer ajuste de valores.
a) – E tudo isso porquê?
b) – Ora porquê! Antes de mais, para dar conserto imediato à atual crise financeira e ao nosso tipo de vivência, eliminar a pobreza e roubos, pois todo o indispensável
para cada um viver estaria sempre disponível para todos e por igual.
a) – Para todos?
b) – Claro, para todos! Fossem os do mundo governamental, judicial, educacional, cultural, industrial, comercial, médico, hospitalar ou farmacêutico etc, etc... Quer
para funcionários, operários, como para dirigentes ou dirigidos, enfim aos servidos com aos servidores, todos beneficiariam dos serviços comuns que estariam abertos
como habitualmente o estão no sistema atual.
a) – Quer dizer que ninguém precisava trabalhar?
b) – Ah!, isso é que não! Muito pelo contrário, ninguém abandonaria o seu posto de trabalho. O trabalho seria justamente a mola real de todo este novo sistema. Ele
seria o fundamento indispensável combater a fome e o frio. Se o trabalho não existisse, isso sim, seria a pior das crises, como acontece hoje às pessoas que são
vítimas desses flagelos e que, numa grande parte, se encontram desempregados. O trabalho de cada um seria a garantia deste novo sistema, justificando o direito à
obtenção livre do que fosse necessário. O bilhete de identidade constituiria a garantia de seu posto de trabalho, a posse dos seus haveres e de tudo mais que
necessitasse.
a) – E não haveria quem fugisse ao seu posto de trabalho e continuasse a beneficiar das regalias oferecidas?
b) – Todo aquele que fugisse ao seu trabalho, isto é, à função do seu afazer, não importava quem nem qual, sofreria a justa punição. Para isso lá estaria a justiça e a
governação.
a) – E como se controlaria isso tudo?
b) – Ora aí está. Não como foram controlados os bancos antes da crise; mas, eliminando o dinheiro, logicamente desapareceriam os bancos.
a) - E o que fariam, então, os seus dirigentes e funcionários?
b) – Dirigentes e funcionários, de qualquer tipo de instituições financeiras, passariam a ser complementares à distribuição e à organização de todos os trabalhos, dos
empregados, e da sua fiscalização dos trabalhos de todos e de cada um em particular, dando dignidade por igual ao seu trabalho de cada um, fosse ele qual fosse. E
assim nunca haveria o risco do desemprego. Tudo o mais continuaria à semelhança do atual viver, em todas as profissões com total igualdade entre as obrigações e
regalias do novo sistema, distinções qualificativas na qualidade dos trabalhos de cada um, quer no dos dirigentes ou dirigidos, no campo político, comercial e industrial,
nas artes ou qualquer outro ramo de trabalho.
a) – Mas tudo isso se me afigura um tanto utópico?
b) – O que na verdade mais me perturba é essa sempre tão pronta descrença na possibilidade desta real proposta, assim tão prontamente suposta utópica. O que
realmente se me afigura utópico seria chegar a um universal acordo de vontades. E isto sim, é que realmente se torna utópico. Cada cabeça cada sentença. Mas se
fosse possível levar esta idéia à prática, todos viveríamos equilibradamente, e não haveria falências, nem desempregados, nem pobres, nem assaltos, nem roubos, por
de todos inúteis. E até já ninguém pensaria mais nessa coisa que contraria o amor ao próximo, que é esse velho frenesi do poder que, aliás, o próprio sistema
econômico em muito proporciona; ou essa outra ânsia, a da posse de bombas atômicas. Eis a última ameaça nascida daquilo a que nós chamamos de Civilização.
Vem a propósito, um curiosa reflexão do meu bom amigo Bernard Despomadères. Contava-me ele como através dos tempos se foi aligeirando o processo de
compras que nos primórdios se processava trocando animais, produtos ou objetos.
Bernard explicou-me, como através dos tempos, se foi simplificando e agileirando esse processo de trocas através da invenção do dinheiro, que começara a ser
representado por moedas grossas muito pesadas em diferentes metais; mais tarde, essas moedas foram agileiradas e substituídas por notas de papel, simplificando-se
mais ainda com a introdução de livros de cheque; e surgiram depois os cartões de crédito, sendo agora até é possível transacionar através da Internet. Repara-se
agora como com a minha dita utópica proposição se chagaria à total simplificação nas transações que passariam a ser efetuadas unicamente pela troca do trabalho
de cada um. Pois que dinheiro não representa senão trabalho. Nesse novo sistema, o trabalho não seria tido como uma maldição porque adquiriria, como se disse,
uma significativa dignidade.
A obrigatoriedade do trabalho seria como um prêmio fundamental para cada um se ocupar da sua função social e ganhar o direito à sua subsistência, tal como por
igual acontece com os animais selvagens que dia após dia ocupam todo seu tempo à procura do alimento, como nos confirma a sábia lei – ganharás o pão de cada dia
com suor do teu rosto. E não há outro modo, mesmo para o dotado Brasil tão rico em quantidade e na qualidade de variadíssimos e deliciosos frutos``
Manoel de Oliveira
Galeria de Fotos
Fernanda Montenegro com Manoel de Oliveira na cerimônia da Ordem do Mérito
Cultural no Rio de Janeiro
O ministro da Cultura Juca Ferreira, o ator Ricardo Trepa e o cineasta Manoel de Oliveira
Manoel de Oliveira autografa o seu livro (editado pela Mostra e a Cosac Naify) para o
presidente Lula e o ministro da Cultura Juca Ferreira
Jornal da mostra
•
• Nº 700
• 33ª Mostra > 30/11/2009
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
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[SHIFT]
Cramba! Como essa merda cresce, digo merba, o texto.
Vou parar de escrever no bloco de notas e redigir tireto no http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6831888684674016053, como eu sempre fiz e salvar como
rascunho para depois corrigir. Mas antes vou copiar e colar isso tudo aí de cima.
Pronto! Já estou de volta in blog.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O PERFIL DELA NO ORKUT
Alessandra...Nem + nem - Apenas # dos =
Mulher de riso fácil
sempre com uma palavra de carinho,
brigando pelo seu espaço.
Trago comigo o silêncio de quem sabe ouvir.
Assumo minha ansiedade e curiosidade diante de tudo.
Companheira, amiga,
fiel, divertida.
Eu gosto de ser mulher!
Caprichosa por excelência,
sonhadora como uma criança,
rebelde ao ser questionada.
Não gosto de injustiças
odeio falsidades, cuidadosa com sentimentos.
Quero o meu espaço preservado
a minha vida a mim pertence.
Não suporto exposição, nem de valores, tão pouco de arrogância
simpática a quem quero.
Não suporto invasão de todas as maneiras.
Detesto futilidades, existem coisas mais importantes e construtivas para falar e preocupar-se.
Submissa por amor
quero andar ao lado de quem amo.
Passo o que for preciso
acredito que um erro não justifica outro.
Vivo, ando, penso, respiro, escuto
sempre o chamado da esperança do novo dia.
Agora com sabedoria e experiência
de quem olha o belo e sabe que o conteúdo vale tanto quanto o invólucro.
Por tudo isso essa sou eu.
já perdoei erros imperdoáveis,
Tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei em me decepcionar.
Mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,já dei risada quando não podia.
Fiz amigos eternos,amei e fui amada.
Mas também fui rejeitada,fui amada e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade.
Já vivi de amor e fiz juras eternas,"quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos.
Já liguei só pra escutar uma voz,me apaixonei por um sorriso.
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade.
E tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas vivi! E ainda vivo ! Não passo pela vida...
E você também não deveria passar!
VIVA!!! Bom mesmo é ir à luta com determinação,
Abraçar a vida e viver com paixão,
Perder com classe e vencer com ousadia.
Porque a mundo pertence a quem se atreve.
E a vida é MUITO para ser insignificante.
Simplesmente...Alessandra
sábado, 30 de janeiro de 2010
"Entrevista: Jerome Kagan - Edição 2150 - Revista VEJA"
Entrevista: Jerome Kagan
A ansiedade pode ser boa
O psicólogo que passou meio século estudando o
desenvolvimento
infantil diz que a mãe não é mais influente
do que o pai
e alerta para o erro de tentar suprimir a ansiedade
![]()
André Petry, de Boston
Jerome Kagan, um dos grandes psicólogos do século
XX, está de volta à moda. Em cinquenta anos de pesquisas sobre
o desenvolvimento infantil, Kagan dedicou-se ao estudo da ansiedade, e, quanto
mais a doença aparece na sociedade moderna, mais atenção
seu trabalho ganha. Aos 80 anos (parecem 65), ele joga tênis três
vezes por semana e, mesmo aposentado desde 2000, segue batendo ponto no seu
escritório na Universidade Harvard e mantém a língua afiada
de sempre. Nesta entrevista a VEJA, durante a qual psicanaliticamente fumou
cachimbo, ele critica pediatras e obstetras, diz que Freud disseminou o equívoco
de que a ansiedade é ruim e - para alívio das mães e festa
das feministas - afirma que a mãe não é mais influente
do que o pai na criação dos filhos.
Estamos vivendo a "era da ansiedade"? A incidência
hoje não é maior do que era ontem. No século XVI, a ansiedade
vinha do risco de morrer antes dos 35 anos de doença infecciosa, ser
assaltado na beira da estrada entre uma cidade e outra, ofender Deus e ir para
o purgatório. Hoje, estamos ansiosos em relação a coisas
diferentes, como status social, sucesso profissional, relação
com amigos e cônjuges. O que determina a frequência e a intensidade
da ansiedade são os genes, e os genes não mudaram do século
XVI para cá. Mas o que determina o alvo da ansiedade é a cultura,
e isso mudou.
A ansiedade é ruim? Desde que Freud disse que todas
as neuroses vêm da ansiedade, passamos a ter um entendimento cultural
de que a ansiedade é uma coisa tóxica. Não é. Todos
nós somos ansiosos. Faz parte da condição humana, como
ficar cansado, errar, sentir-se culpado, frustrado ou envergonhado. Não
existe civilização em que ninguém fica ansioso. A ansiedade
tem vantagens. As pessoas ansiosas são muito responsáveis e conscientes.
Quando eu selecionava meus ajudantes de pesquisa, sempre que possível
optava por jovens ansiosos, tímidos e introvertidos, porque eles trabalham
com afinco e erram menos. Há pessoas ansiosas simplesmente brilhantes.
Albert Einstein era ansioso? Pela biografia dele, eu diria
que não, mas T.S. Eliot era seguramente ansioso e ganhou o Nobel de Literatura
em 1948. O matemático Paul Dirac era extremamente ansioso e também
ganhou o Nobel de Física em 1933. Uma pessoa pode ser intensamente ansiosa,
mas, se ela consegue trabalhar, relacionar-se no casamento, cumprir seu papel
de pai ou mãe, não há problema. A ansiedade será
um problema se atingir um estágio clínico, no qual vira doença,
a superansiedade. Do contrário, só será problema para quem
acha que é um problema. Conheço indivíduos altamente ansiosos
que não interpretam sua condição como problema. Entendem
que a vida é assim mesmo e estão satisfeitos.
De onde vem a superansiedade? Há dois argumentos.
Os biólogos evolucionários dizem que a existência de
hipervigilantes entre membros de nossa espécie foi decisiva na luta contra
os predadores. Sob esse ponto de vista, portanto, a ansiedade foi uma vantagem
adaptativa. O argumento contrário deriva da tese de Stephen Jay Gould (paleontólogo americano, 1941-2002) segundo a qual nem todas as
mutações são úteis e positivas. Algumas são
simplesmente subprodutos da evolução. O queixo é um exemplo.
Ele não traz em si nenhuma vantagem adaptativa. O queixo existe como
consequência arquitetônica do desenho da boca, esta sim uma solução
evolutiva útil. A natureza simplesmente não saberia como construir
uma boca como a nossa sem criar como subproduto o queixo. A tese de Gould pode
ser aplicada à superansiedade. Ela seria um subproduto, uma sobra de
algum outro arranjo genético positivo. Não sei qual dos dois argumentos
é o mais correto, mas ambos fazem sentido.
Em meio século de estudos, o que lhe parece mais decisivo
no desenvolvimento infantil? Duas coisas. Uma é que, nos primeiros
dezoito ou vinte anos, vivemos verdadeiros estágios de maturação.
Os dois primeiros anos são um estágio. De 2 a 5, outro estágio.
De 5 a 7, outro. E, quando passamos de um estágio ao outro, parte do
que ocorreu antes desaparece sem deixar vestígios. Não carregamos
toda a bagagem conosco. As experiências da primeira infância simplesmente
somem, são transformadas ou eliminadas. Antes, pensava-se que não
perdíamos nada, que tudo ficava registrado. Não é verdade.
A outra coisa é que a natureza humana é como uma cebola. Trocamos
as camadas externas com facilidade. São as crenças, o comportamento.
As camadas internas, mais próximas do centro, são difíceis
de mudar. São os sentimentos, a ansiedade, a raiva, o orgulho. Carl Jung (psiquiatra suíço, 1875-1961) entendeu isso com seu conceito
de "persona" e "anima". "Persona" é a camada
externa, é o que nós vemos um no outro. "Anima" é
o que está dentro da cebola, e nós não vemos.
A biologia é destino? Depende. Há doenças,
pouquíssimas doenças, que quase certamente vão se desenvolver
em quem tiver determinados genes. É o caso de Huntington (doença
degenerativa do sistema nervoso central). Felizmente, menos de 1% da população
tem os genes de Huntington. No outro extremo, há doenças, muitas
doenças, que só se desenvolverão, mesmo em quem tiver os
genes errados, caso numerosos fatores externos se combinem para deflagrar a
moléstia. São muitas as pessoas com esses genes, mas é
provável que nunca tenham as doenças. Portanto, a resposta é
não: biologia não é destino.
Pais ansiosos terão filhos ansiosos? Se a ansiedade
dos pais decorre de uma característica de sua natureza, a probabilidade
de que seus filhos sejam ansiosos é um pouco mais alta. Isso porque estamos
falando de hereditariedade. Mas, se a ansiedade dos pais tiver origem no ambiente,
no meio em que vivem, a possibilidade de passar a ansiedade para os filhos será
menor.
Qual a influência dos pais sobre o temperamento dos filhos? No caso do temperamento que tem origem genética, os pais podem ajudar
a mudar o comportamento, ou seja, a forma como esse temperamento se manifesta.
Eles podem ajudar seu filho a reduzir ou silenciar a intensidade com que o temperamento
aparece, mas a vulnerabilidade estará sempre lá. Na minha pesquisa
com bebês, há dois casos muito evidentes. (A pesquisa começou
em 1986, com 500 bebês, dos quais 20% se revelaram inibidos e ansiosos,
e são acompanhados até hoje por seguidores e Kagan.) Uma das
garotinhas pesquisadas, a quem chamamos de Mary, vem de uma família que
lhe dá muito apoio e incentivo. Hoje, aos 24 anos, Mary está na
faculdade e vai muito bem. Outra pesquisada, Baby 19, veio de uma família
de pais divorciados e está tendo muitos problemas. As duas, Mary e Baby
19, têm o mesmo temperamento, mas as famílias fizeram a diferença.
O nível educacional e a classe social dos pais têm
muita influência sobre o futuro dos filhos? Tem mais influência
do que a genética. O melhor indicador de doença mental, de qualquer
doença mental, é a classe social, e não os genes. Por hipótese,
suponhamos que há um grupo de 1 000 bebês lá fora. Você
e eu vamos pesquisá-los para determinar quais bebês poderão
estar sofrendo de depressão aos 30 anos de idade. Você só
pode examinar os genes dos bebês. Eu só posso examinar a educação
e o nível de renda dos pais dos bebês. Meu resultado será
mais exato do que o seu. Os que ocupam o topo da pirâmide social, em termos
de educação, trabalho e renda, têm menos doença mental,
vivem sete anos a mais e seus filhos são mais saudáveis. Em resumo,
são pessoas mais felizes.
O amor da mãe é condição necessária
para a saúde mental da criança no futuro? É conversa
fiada. As crianças tomam consciência de si mesmas por volta dos
2 anos de idade. Quando isso acontece, a criança, para crescer mentalmente
saudável, precisa acreditar que pelo menos um dos pais a valoriza. Pode
ser a mãe ou o pai, não necessariamente a mãe. Observe:
eu usei o verbo valorizar, não o verbo amar. A criança precisa
se sentir valorizada. Na cultura escandinava, os pais não beijam nem
abraçam os filhos, nem dizem "eu te amo". Mas estão
sempre reforçando nos filhos a ideia de que eles são valorizados.
Beijar e abraçar o filho não faz diferença? Depende da interpretação e do contexto cultural da criança.
Uma criança que cresce no Brasil talvez não acredite no amor de
seus pais caso eles não a abracem e beijem. Mas não é a
mesma coisa na Escandinávia. Há anos, tive um aluno, filho de
mexicanos, criado na Califórnia. Não conhecia a Nova Inglaterra
até se matricular em Harvard. Quando completou seu primeiro ano aqui,
perguntei o que lhe havia chamado mais atenção. Ele riu e disse:
"É estranho que os pais dos meus colegas venham visitá-los
e não deem um abraço nem um beijo nos filhos". É cultural.
Ele, filho de mexicanos, de origem latina, não entendia a indiferença
física. As famílias da Nova Inglaterra não beijam nem abraçam
seus filhos, mas os filhos sabem que os pais os valorizam.
O pediatra Berry Brazelton diz que a presença e o amor
dos pais são fundamentais para criar crianças saudáveis
e seguras. Ele está errado? Brazelton não está errado,
mas os pediatras exageram o papel da afeição no primeiro ano de
vida. Claro que os pais têm importância. Agora, é preciso
entender que a criança que tem laços com seus pais está
mais inclinada a fazer o que os pais querem que ela faça do que a criança
que não tem os mesmos laços. É um contrato. A criança
recebe carinho e afeição e, em troca, dá o que lhe pedem.
Mas suponhamos que um pai carinhoso e amoroso queira que sua filha, em pleno
século XXI, cresça como uma menina do século XIX, sem pensamentos
de natureza sexual, calada e conformada. Isso será bom para a filha quando
tiver 20 anos? Não. Portanto, se os pais usam os laços afetivos
a serviço de bons valores, ótimo para a criança e seu futuro.
No caso de valores inadequados, seria preferível que os laços
não existissem. É disso que Brazelton não fala.
Não seria porque partimos do princípio de que
os pais fazem o melhor para seus filhos? Mas essa é uma premissa
errada. Os pais às vezes promovem valores errados. Em O Caçador
de Pipas, Baba, o pai, amava seu filho Amir, mas queria que fosse um bravo,
um valente, e não um escritor. O resultado foi que, com todo o amor,
Baba criou um filho ansioso e que se sentia rejeitado pelo pai. Então,
o amor funciona quando os pais promovem valores que servem para a criança
no futuro.
No início da vida da criança, o pai e a mãe
são igualmente significativos? Se a cultura disser que são,
então eles serão. Mas a nossa cultura não diz isso. Ela
nos diz que a mãe tem de amar seu filho. Nas últimas linhas de Narciso e Goldmundo, de Hermann Hesse, Goldmundo está morrendo
nos braços de Narciso e então diz: "Mas como poderás
morrer, Narciso, se não tens mãe? Sem mãe, não se
pode amar. Sem mãe, não se pode morrer". Essa é a
visão ocidental. É, de novo, uma questão cultural. Na Europa
renascentista, o pai era considerado mais vital do que a mãe. Michel
de Montaigne (escritor e ensaísta francês do século XVI)
escreveu que o pai era a força mais relevante, pois a mãe era
exageradamente emocional. O ideal, dizia Montaigne, era afastar logo a criança
da mãe "e usar uma cabra para amamentá-la".
Todo casal hoje valoriza e registra em vídeo o momento
em que o obstetra entrega o bebê nos braços da mãe assim
que nasce... Bobagem. Isso parece bruxaria.
Mas a mãe amamentar o filho pele com pele também
é dispensável? Isso não. Além de a amamentação
ser recomendável, o contato do bebê com a pele da mãe traz
benefícios para a saúde de ambos. Falamos da pele da mãe
apenas porque o pai não amamenta. Se amamentasse, podia ser a pele do
pai.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
17 anos de "http://www."
Hoje é multilinguagem, estruturado, 'inteligente'.
Mas o que me trouxe aqui, foi a ligação da internet com o texto de filosofia que eu li a pouco:
Adorno, a indústria cultural e a internet
Há quarenta anos morria o filósofo da Escola de Frankfurt que se tornou famoso por sua crítica aos meios de comunicação de massa
POR SERGIO AMARAL SILVA * http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/20/artigo151970-1.asp