A espectativa de um reinício de carreira profissional é similar ao de um atleta sênior esperando o tiro de largada, é (tudo) (uma) explosão! Daí, é sair na disparada o mais rápido possível até a chegada.
Caramba! Péssima memória! Não lembro quando foi que eu escrevi o paragrafo acima, mas isso não importa agora.
Na verdade este espaço serve para "se soltar", deixar fluir, errar e consertar, ou deixar errado mesmo.
No futuro, certamente vou me divertir bastante lendo o que esta sendo escrito agora. Mas uma coisa me preocupa: Tenho percebido uma distorção no tempo presente, ele é menor, tudo vira passado numa velocidade muito grande sem virar história. Acho que ninguém olha mais pra frente nem pra trás, não dá tempo. As consequencia disso? Fica a questão.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Palácio
Um Palácio, é sempre um Palácio, casa de rainhas e reis, prícipes e princezas, os bobos, os loucos, toda a realeza o habita.
Temos por exemplo o Palácio do Planalto, O Palácio Guanabara e o Palácio Universitário. O PP, moderno...
Temos por exemplo o Palácio do Planalto, O Palácio Guanabara e o Palácio Universitário. O PP, moderno...
Meu Tio Sergio Souto, Poeta,
SERGIO SOUTO
Minha auto estima está precisando com urgência de um up-grade...
relacionamento: solteiro(a)
aniversário: 11 de julho (91 anos)
local: Rio de Janeiro, Brasil
endereço: estado: Fevereiro, março, abril...
ver perfil inteiro
Sobre SERGIO
Estarei sempre aquém do fulgor do sol e da sinceridade do entardecer!!
Sou dos que gotejam
Nas noites dessa cidade
Por ruas e bares sem par
Sou dos que garimpam rios de olhares nas mesas
Como uma discreta represa
Prestes a transbordar.
FAREI TODAS AS MAGIAS,
TODAS AS FOLIAS
Q MEU CORAÇÃO PEDIR
POIS HOJE O AMOR AMANHECEU SORRINDO..
EM MIM!
O MEU AMOR
Água de cacimba
Sonho de menino
Cheiro de barranco
Som de violino.
Um canto à capela
Vela e castiçal
Um toque de sino
Canção matinal.
Solidão de ilha
Trilha no deserto
Lábios de baunilha
Coração liberto.
Reverber de igreja
Um som dos Mutantes
Um beijo cereja
Suspiro ofegante.
O meu amor
Envolvente cetim
Um vento noturno
Brilho mandarim.
Tem a alma lavada
Nada o subtrai
Uma cantilena
Um soneto, um haicai.
O meu amor
É plural, sentimento
É candeia, é cambraia
Paixão, alimento.
Tem cara de nuvem
Tem os pés no chão
É sob medida
Pro teu coração.
Um vento "em passant"
Um mar de almirante
Sabor de hortelã
Um inferno de Dante.
Um papel de prata
Um bombom de fruta
Zumbido da mata
Silêncio de gruta.
Um vinho rascante
Luar delinquente
Um olhar navegante
Uma cama quente.
Tremores nos lábios
Rangidos de dente
Rubores na face
Um abraço de frente.
O meu amor
Envolvente cetim....
Um abraço-açú!!
UM CARA
Eu sou só um cara
Que verseja qual Cora
Que fere, que sara
Que sorri e chora.
Que ama à vera
Que a tudo arvora
Que corta e apara
Por dentro e por fora.
Não teme e encara
Tem jogo e cintura
Que chega odara
Que vive na altura.
Que rima e transpira
Num sol pau-de-arara
Um verso Catulo
Paixão Ceará.
Que toca na lira
Um tema pra Mara
Morena bonita
Lá de Macapá.
Qual pomba que gira
No rumo das horas
Num céu de safira
Mas não vai embora.
Qual água que fura
Qual olho na mira
Qual fruta madura
Saci, Curupira.
Qual muro de Hera
Qual pedra mais pura
Qual fogo em cratera
Criador, criatura.
MANHÃS E CAJÁS
O meu amor tem o cheiro
Das manhãs e cajás
Tem uma flor no cabelo
Nos olhos tem dois cristais.
O meu amor tem a tez
Misto de canela e giz
Tem o andar das gazelas
E um sorriso de Paris.
O meu amor é flor de liz
O meu amor é jazz, é blues
Tem a luminosidade da atriz
Raiz do alcaçuz.
O meu amor é mais e mais
Tem o brilho incandescente do "Maués"
É feito o por do sol nos pantanais
Magia dos igarapés.
O meu amor tem o encanto
Das noites nos seringais
Tem o calor de mil sóis
Nas impressões digitais.
O meu amor tem um jeito
Meio Joplin e Joan Baez
Delírios de Alcatraz
Delicada nudez.
COLÍRICOS
Sergio Souto
Bem que eu tentei amar-te
Com a efervescência dos amantes
Umbigo com umbigo
Bôca com bôca, front a front.
Bem que eu tentei tentar-te
Com meu kiss ardente
Feito uma HALLS escorregando
Entre a lingua e os dentes.
Bem que eu tentei mandar-te
Um carinho via fax
Um abraço por sedex
Dois bombons de chocolate.
Ouvir-te sussurrar nos meus ouvidos
Um poema apaixonado do Vinícius
Quem sabe um dissilábico talvez
Pra um coração fadado ao precipício.
Deixa-me beber-te
Nem que seja por um instante
Com o calor de antigamente
Dos bons tempos de estudante.
Mas de tanto querer-te
Perdi meu Norte
Fui parar em Marte
Se quiseres me ver, me ouvir
Press start.
Mas, antes que definitivamente me descarte
Deixo meu olhar, uma canção
Um verso inacabado
O mapa, a senha e a chave de acesso
Do meu coração
Entrevista - O medo do outro, com Julio Verztman
Coryntho Baldez
O mal-estar do sujeito contemporâneo não é mais o mesmo da época em que Freud lançou as bases da Psicanálise, no século XIX. Antes, os conflitos interiores, que se relacionariam especialmente à sexualidade, deflagravam sintomas de defesa classificados pelo médico austríaco como histeria e neurose obsessiva.
Hoje, o sofrimento psíquico estaria ligado à mudança do paradigma cultural. Seria também moral e ético, uma vez que lidamos, no dia a dia, com valores que não conseguimos sustentar, e tememos "não honrar a nossa tradição", na análise de Julio Verztman, psicanalista e médico psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. O medo do "olhar do outro" teria produzido alguns sintomas novos, como a fobia social e a síndrome do pânico. E mais: a melancolia e a timidez - não a culpa - teriam lugar central no mal-estar do sujeito contemporâneo
Num mundo em que precisamos permanentemente mostrar e submeter a nossa imagem à avaliação do outro, patologias relacionadas à própria imagem, como os transtornos alimentares, também vão estar no centro do conflito do novo sujeito, de acordo com Verztman, que coordena o Núcleo de Estudos em Psicanálise e Clínica Contemporânea (Nepecc) do Ipub, ao lado das professoras Regina Herzog e Tereza Pinheiro.
Os dez anos de pesquisas do Nepecc resultaram no livro Sofrimentos Narcísicos, editado pela Companhia de Freud e lançado em 5 de outubro. A obra, que reúne diversos artigos - muitos deles inéditos - foi financiada pela Capes e está sendo distribuída para pesquisadores, bibliotecas e interessados em geral.
UFRJ Plural - Quais eram as principais características do mal-estar do sujeito que emergiu na modernidade, época em que Freud criou a Psicanálise?
Julio Verztman - Nesse período, o que caracterizava o sujeito, em primeiro lugar, era a hipertrofia do que se chamava interioridade. Uma interioridade marcada por conflitos ligados a várias esferas humanas. Freud acentuou bastante o conflito ligado à sexualidade. Esse conflito interior está marcado diretamente pelas relações com os outros, já que o sujeito não vive apenas dentro de si, e produzia então vários tipos de sintomas.
UFRJ Plural - Que sintomas eram esses?
Julio Verztman - O paradigma de mal-estar, que levou inclusive à invenção da própria Psicanálise, era a histeria. Havia também o que ele classificou de neurose obsessiva.
UFRJ Plural - Poderia detalhar mais esses sintomas?
Julio Verztman - A neurose é uma palavra que foi criada no final do século XVII, e não pelo Freud, que caracterizava simplesmente um tipo de afecção do sistema nervoso central, sem febre e sem inflamação. Como neurologista, Freud utilizou essa palavra. Ele classificou como psiconeurose de defesa os sintomas da histeria, da neurose obsessiva, de fobias e de alguns quadros psicóticos. O sujeito, de certa maneira, produzia determinados sintomas para se defender de algo que não se sabia direito o que era. Freud foi descobrindo isso muito aos poucos.
UFRJ Plural - E hoje, quais os fatores que estão forjando o novo sujeito da era contemporânea?
Julio Verztman - É importante ressaltar que a discuss&˜o em torno do sujeito contemporâneo é bastante polêmica, tanto no meio psicanalítico como no psiquiátrico. Há colegas que legitimamente defendem que o mal-estar do sujeito transcende o tempo, ou seja, não haveria nada que estruturalmente produzisse um mal-estar contemporâneo descontínuo em relação ao mal-estar de outras épocas, sobretudo daquelas conhecidas pela Psicanálise.
UFRJ Plural - No entanto, um número cada vez maior de psicanalistas acredita que exista alguma coisa nova nesse mal-estar?
Julio Verztman - Sim, acreditamos que exista algo novo em relação ao sujeito interiorizado e conflitual do século XIX e início do século XX. A relação do sujeito com a sua interioridade se modificou. A culpa, por exemplo, que para Freud era o núcleo central das neuroses, é uma emoção que vem sofrendo várias modificações. A ponto de imaginarmos que a culpa agora é sempre do outro.
UFRJ Plural - Mas quais os sintomas mais perceptíveis dessa mudança?
Julio Verztman - Na Psicanálise, trabalhamos com os relatos clínicos do trabalho do psicanalista, com o que eles encontram na sua prática, com os sujeitos que têm procurado tratamento psicanalítico. Por exemplo, um diagnóstico que assumiu importância na Psiquiatria, a partir dos anos 1980, foi o quadro de fobia social. É um sentimento de ansiedade e desconforto diante da exposição ao olhar do outro, um temor de ser mal avaliado pelo outro. Isso leva as pessoas a evitarem o convívio social em situações banais da vida, como ir a um restaurante ou a uma festa. Nos Estados Unidos, a fobia social atinge em torno de 13% da população, já tendo sido considerada o terceiro transtorno mais comum em algumas avaliações epidemiológicas. É claro que temos que levar em conta que, quanto maior a epidemiologia de determinada doença, mais medicação se prescreverá para ela. Estar sempre encontrando uma classificação de doença para alguém significa atender também a interesses econômicos da indústria farmacêutica quando há um transtorno com medicação específica prevista para ele.
UFRJ Plural - A síndrome do pânico é outro sintoma do mal-estar contemporâneo?
Julio Verztman - Sim, mas é diferente da fobia social. É uma situação aguda de ansiedade, com sintomas físicos e mentais rápidos, e muito desconfortáveis, que levam as pessoas aos prontos-socorros, em situações que não se repetem. Uma hora o sintoma aparece no banho, outra hora quando a pessoa está na rua. Repetidas vezes, isso produz a realidade antecipatória, que é o medo profundo de experimentar a mesma sensação de novo. E leva muitas pessoas a não saírem mais de casa, por se sentirem desprotegidas.
UFRJ Plural - E que outras características marcam o sujeito contemporâneo que apresenta tais sintomas?
Julio Verztman - Por exemplo, é muito comum que uma pessoa com síndrome do pânico, quando perguntada sobre a origem desse desconforto, responda que não sabe dizer, que é uma sensação que vem do "nada". Essa dificuldade associativa que vemos em pacientes que têm síndrome do pânico é uma marca da atualidade. Na fobia social, isso também acontece. Nós chamamos esses pacientes de "sujeito tímido", até para não "patologizar", classificar como doença. E a timidez não é uma questão fundamental para Freud, nunca foi uma categoria pensada por ele.
UFRJ Plural - E como se manifestam a depressão e a melancolia contemporâneas? São também novos sintomas?
Julio Verztman - Já fui chamado para vários debates e palestras sobre esse tema. Recentemente, uma tinha o título "Depressão, a epidemia do mundo atual". Temos que ter certo cuidado com a palavra epidemia. Como falei, há muitos interesses econômicos envolvidos na popularização de doenças e na classificação de comportamentos que antigamente eram denominados normais como sendo patológicos.
UFRJ Plural - Mas a depressão é uma característica da atualidade?
Julio Verztman - Sim. Percebemos que a depressão é caracterizada, fundamentalmente, pela alteração da capacidade de a pessoa sentir as coisas como habitualmente sentia. Isso produz certa tonalidade mais sombria para o "existir", uma sensação de indiferença em relação à vida. Essa apatia ou abulia leva à redução da capacidade da ação. Esses sintomas são, realmente, muito pregnantes na contemporaneidade.
UFRJ Plural - E por que isso acontece?
Julio Verztman - Porque o sujeito contemporâneo está muito pouco preparado para o conflito, que era uma marca da modernidade. Diante da adversidade e do conflito, o sujeito contemporâneo deprime com mais facilidade do que parecia deprimir antes.
UFRJ Plural - Que fatores relacionados à cultura contemporânea estão na origem dessa nova condição do sujeito? Por exemplo, qual é, hoje, o papel do culto ao espetáculo na formação da subjetividade das pessoas?
Julio Verztman - Podemos caracterizar o sofrimento psíquico também como sofrimento moral, ético. Isso porque estamos sempre lidando com ideias que não cumprimos, valores que não conseguimos sustentar, com conflitos em relação a diferentes formas de agir. Sempre estamos com muito medo de perder o amor dos outros, dos entes queridos, de não honrar a nossa tradição. Então, o sofrimento psíquico é um sofrimento cujo lugar no mundo humano é absolutamente central. E o que regula esse lugar é a cultura, o nome que damos para condensar alguns valores hegemônicos que regulam as nossas condutas e maneiras de agir no mundo. Se esse mundo e essa cultura mudam de maneira profunda, como mudaram nos últimos 30 anos, é bem provável que o sofrimento psíquico mude.
UFRJ Plural - Dê um exemplo.
Julio Verztman - Vou dar um exemplo banal. Se jovens de 18 ou 20 anos perdem o HD do seu computador ou todas as fotos que tinham no Facebook, a sensação de esvaziamento interior que sentem numa situação como essa era impensável há 50 anos. É como se a história que estava dentro de cada um de nós fosse transportada para fora. E a fotografia dá exatamente a possibilidade de o outro ver aquilo que a gente também vê.
UFRJ Plural - Isso significaria um temor em relação &` experiência real?
Julio Verztman - No nosso núcleo de pesquisa tomamos muito cuidado em não ser saudosista. Ou em fazer uma avaliação negativa do presente, afirmando que somos empobrecidos em relação ao passado. Acho que é somente uma diferença. Num mundo em que tudo tem que ser visto nos mínimos detalhes, em que a sua imagem tem que ser mostrada e avaliada pelo outro o tempo todo, é evidente que patologias relacionadas à própria imagem vão estar no centro do conflito do sujeito contemporâneo.
UFRJ Plural - Que tipos de patologias estão relacionados à imagem?
Julio Verztman - A bulimia e a anorexia são exemplos. Quando me formei em Psiquiatria, na década de 1980, praticamente não tínhamos casos de anorexia nervosa. Hoje, vemos na prática clínica que os transtornos alimentares aumentaram muito nos últimos 25 anos.
UFRJ Plural - A tendência da chamada revolução digital, uma outra mudança cultural, seria formar indivíduos cada vez mais fechados em si mesmos e desengajados de projetos coletivos?
Julio Verztman - Não acredito, nesse caso. O que vemos são pessoas tímidas, com fobia social, tendo uma possibilidade de se relacionar com o outro antes inexistente. Vemos também grandes lutas políticas no mundo sendo travadas e mobilizadas através da internet. A Primavera Árabe é um exemplo. Não conseguimos mais ficar sem olhar o nosso telefone celular, sem usar o computador, e temos que tentar lidar com o que somos hoje da melhor maneira possível. Mas não acho que a tendência do ser humano atualmente seja se tornar introspectivo, ou isolar-se. Existem várias possibilidades colocadas.
UFRJ Plural - E o estímulo ao consumismo desenfreado e artificial, repercute na formação do indivíduo hoje?
Julio Verztman - Esse é um problema grave. Advento de novas tecnologias e mudança de relacionamento entre as pessoas acontecem. Mas o consumo passar a ter uma importância grande na definição do que são as pessoas, e isso é problemático. As pessoas buscam transformar objetos em marcas pessoais, o que é impossível. A não ser com grande empobrecimento de quem a pessoa é, um objeto jamais vai ser capaz de defini-la. Claro que, por trás disso, há uma indústria do consumo, uma indústria do crédito. Esse é um problema subjetivo muito importante. Realmente, a efemeridade da satisfação pelo consumo é muito grande e a satisfação que isso traz é transitória.
UFRJ Plural - Como enfrentar os sofrimentos psíquicos contemporâneos, uma vez que os relatos nos consultórios parecem estar cada vez mais empobrecidos e fragmentados?
Julio Verztman - Acho que, na verdade, os relatos estão diferentes, não empobrecidos ou menos ricos. Acostumamo-nos a lidar com um tipo de sujeito e, agora, temos que aprender a lidar com outro tipo. No campo da Psicanálise, posso dizer que há um esforço enorme para isso, com a criação de novas formas de atuar para enfrentar essas diferenças. Os relatos também não são propriamente fragmentados, mas menos marcados pela presença do sujeito inconsciente, do sujeito dividido, aquele que conta os seus sonhos nos consultórios e faz associações a partir deles, ou que faz um ato falho e pode pensar sobre que sentido ele pode ter na sua experiência.
UFRJ Plural - Hoje haveria então uma dificuldade maior de o sujeito dar sentido ao "não sentido" dos sintomas?
Julio Verztman - Isso. O sujeito tem mais dificuldade de associar. Todo o esforço psicanalista contemporâneo é aumentar a capacidade associativa do sujeito, é fomentar a sua capacidade de ele próprio perceber que tem condição de ter acesso à sua verdade por meio do trabalho associativo. Isso tem sido difícil. Como disse recentemente um psicanalista, o que era dado antes da análise na época de Freud agora é dado durante a análise com o psicanalista. O sujeito já chegava com um sintoma a ser interpretado. Hoje, esse sintoma e o que vai ser interpretado são construções feitas junto com o psicanalista.˜
sexta-feira, 1 de junho de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Boletim FAPERJ - Robótica de Enxame
Projeto desenvolve robótica de enxame
Danielle Kiffer
Divulgação
Os pequenos robôs são programados para
realizar tarefas em conjunto
Inspirada nas características de insetos que vivem em bando, como as abelhas, a robótica de enxame se constitui de máquinas pequenas e simples, que agem em grupo e podem realizar tarefas complexas e árduas, como a busca de elementos radioativos em um local contaminado. A pesquisadora Nadia Nedjah, professora da Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e equipe, que conta com professores da Uerj, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), vêm desenvolvendo e aprimorando esta tecnologia. O estudo é apoiado pela FAPERJ pelo programa "Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro".
Para explicar como tudo isso funciona, a pesquisadora recorre ao exemplo das formigas que, embora não tenham um cérebro desenvolvido, não sendo individualmente muito inteligentes, nem tenham uma boa visão, conseguem realizar trabalhos complexos, como encontrar e usar o menor caminho do ninho à comida ou a construção de pontes vivas. "Para isso, as formigas interagem entre si e com o ambiente ao redor", explica Nadia. A inteligência de enxame, ou swarm intelligence, emprega este princípio para descobrir soluções inovadoras para problemas existentes. “Trouxemos esta adaptação para a inteligência artificial”, completa.
Na prática, tudo acontece da seguinte forma: a pesquisadora adquire robôs da Suíça e dos Estados Unidos, por exemplo, que são adaptados, pela equipe, para uso nas mais diversas situações, que podem ser o salvamento de vítimas de um terremoto, em que a presença de bombeiros é arriscada. Para isso, os estudiosos desenvolvem cálculos matemáticos, ou algoritmos, para determinar como seria a ação dos robôs, considerando-se o ambiente externo, como um terreno acidentado, e como esse salvamento seria viabilizado. Esses algoritmos servem para criar programas que, inseridos nos robôs, passam a determinar sua atuação. Dotados com diferentes tipos de sensores, os robôs são capazes de avisar quando encontram vida sob os escombros e só param a busca quando alcançam seu objetivo ou quando termina a bateria. Dessa forma, não é necessário controle remoto nem nenhum tipo de comando: os programas criados controlam todas as suas ações. "É no desenvolvimento e aprimoramento dos algoritmos que alimentam esses programas que nossa equipe tem trabalhado", afirma Nadia.
“Dependendo da situação, podemos fazer com que os robôs andem em fila, se locomovam como em um cardume de peixes, ou se dividam em grupos para atuar em tarefas diferentes, mas colaborando entre si e se harmonizando para uma única finalidade. Alguns algoritmos permitem que os robôs formem uma ponte, assim como as formigas fazem para atravessar um terreno acidentado, com buracos maiores do que elas”, explica. A pesquisadora ainda ressalta que a equipe está trabalhando para criar situações em que as máquinas redistribuam suas tarefas no caso em que um dos robôs venha a falhar no meio de uma missão.
Diversos testes já foram realizados em laboratório, todos eles bem-sucedidos. Entre eles, encontrar, em uma sala, focos de contaminação radioativa, simulados por pontos de luz, ou realizar seleção e separação de lixo. No primeiro caso, os robôs foram programados para parar somente depois de encontrarem os focos luminosos; no segundo, os robôs foram munidos de sensores para identificar diferentes tipos de lixo, como o papelão, e programados para separá-los do resto.
Divulgação
Robôs voadores poderão, futuramente, monitorar
grandes áreas verdes para detectar desmatamento
Numa segunda etapa do projeto, Nadia e sua equipe estão criando algoritmos para um tipo de máquina diferente: os robôs voadores. “Poderíamos aplicar essas máquinas para a supervisão de desmatamento em grandes áreas, como a Amazônia. Os robôs sobrevoariam um local específico e, ao avistar áreas desmatadas, avisariam, por sensores, uns aos outros até que a informação chegasse ao computador de um dos integrantes do grupo, que estivesse monitorando a tarefa”, explica. As possibilidades de aplicações para esse tipo de tecnologia são inúmeras.
De acordo com a pesquisadora, tanto quanto o mapeamento de locais de difícil acesso ou a ajuda para detectar o transporte de substâncias proibidas em bagagens em aeroportos, também futuras explorações de outros planetas poderão ser realizadas utilizando os princípios da robótica de enxame. “Vamos continuar trabalhando no desenvolvimento de inteligência de enxame até que possamos colocá-las em prática. Tudo isso vai ajudar muito nas situações mais difíceis de nosso cotidiano”, finaliza.
© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.
http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=8130
terça-feira, 15 de maio de 2012
une belle journée: Cabo Frio, RJ 2011 - Passeios
une belle journée: Cabo Frio, RJ 2011 - Passeios: Olá viajantes! hoje vou falar dos passeios que fiz em Cabo Frio no ano anterior. Como sempre foi um lugar que frequentamos, fica até d...
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
OS POLITÉCNICOS - ( Vinicius de Moraes)
OS POLITÉCNICOS - ( Vinicius de Moraes)
FUI a São Paulo, a
convite do Grêmio dos Politécnicos, bater um papo com os rapazes em sua
Faculdade. Recusei-me a fazer uma palestra, pois sou homem de língua emperrada; mas os motivos
para a minha ida como me foram apresentados pelos futuros engenheiros
paulistas, pareceu-me bastante válidos, além de modestos. Têm eles que a
carreira escolhida oferece o perigo de canalizar o pensamento para problemas
puramente tecnológicos, em prejuízo de uma humanização mais vasta, tal como a
que pode ser adquirida em contato com o homem em geral e as artes em
particular.
Há muito não me sentava diante de tanto moços, com um
microfone na mão, para lhes responder o que desse e viesse. _ "Quem sou eu
_ perguntei-me, não sem uma certa amargura _ quem sou eu, que não sei sequer
consertar uma tomada elétrica, para arrogar-me o direito de vir responder às
perguntas destes jovens que amanhã estarão construindo obras concretas e positivas
para auxiliar o desenvolvimento deste louco país?" Mas eles, aparentemente
pensavam o contrário pois puseram-se a bombardear-me de perguntas que, falar
verdade, não dependiam em nada de cálculos, senão de experiência, bom-senso e
um grão de poesia. Providenciaram mesmo uma bonita cantorazinha de nome
Mariana, que estreava na boate Cave (de onde partiram para fama Almir
Ribeiro e Morgana) para cantar coisas minhas e de Antônio Carlos Jobim: o que
era feito depois de eu responder se acreditava ou não em Deus, como explicava a
existência de mulheres feias e o que pensava de João Gilberto.
A homenagem foi simpática, mas no meio daquilo tudo
comecei a ser tomado por uma sensação estranha. Aqueles rapazes todos que
estavam ali, cada um com a sua personalidade própria _ João gostando de romance
Lolita, Pedro detestando; Luís preferindo mulatas, Carlos louras;
Francisco acreditando em Karl Marx, Júlio em Jânio Quadros; Kimura preferindo
filme de mocinho, Giovanni gostando mais de cinema francês _ já não os tinha
visto eu em outras circunstâncias, em outros tempos? Aquele painel de rostos
desabrochando para a vida, aqueles olhos sequiosos ao mesmo tempo de amor e
conhecimento, não eram eles o primeiro plano de uma imagem que se ia perder no
vórtice de uma perspectiva interminável, como num jogo de espelhos? Atrás de
cada uma daquelas faces não havia o fotograma menor de outra face, como ela
ávida de saber o porquê das coisas, e atrás dessa outra, e mais outra, e outra
ainda? Vi-os, de repente, todos fardados me olhando, atentos às instruçõs de
querra que eu lhes dava em voz monótona: "_ Os três grupos decolarão em
intervalos de cinco minutos, e deixarão cair sua carga de bombas nos objetivos
A, B e C, tal como se vê no mapa. É favor acertarem os relógios..." Mariana
cantava, um pouco tímida diante de tantos rapazes, a minha "Serenata do
Adeus":
Ai, vontade de ficar mas tendo de ir embora...
Qual daqueles moços seria
um dia ministro? Qual seria assassino? Quem, dentre eles, trairia primeiro o
anjo de sua própria mocidade? Qual viraria grã-fino? Qual ficaria louco?
Tive vontade de gritar-lhes: "Não acreditem mim!
Eu também não sei nada! Só sei que diante de mim existe aberta uma grande porta
escura, e além dela é o infinito _ um infinito que não acaba nunca! Só sei que
a vida é muito curta demais para viver e muito londa demais para morrer!"
Mas ao olhar mais uma vez seus rostos pensativos
diante da canção que lhes falava das dores de amar, meu coração subitamente se
acendeu numa grande chama de amor por eles, como se eles fossem todos filhos
meus. E eu me armei de todas as armas da minha esperança no destino do homem
para defender minha progênie, e bebi do copo que eles me haviam oferecido, e
porque estávamos todos um pouco emocionados, rimos juntos quando a canção
terminou. E eu fiquei certo de que nenhum deles seria nunca um louco, um
traidor ou um assassino porque eu os amava tanto, e o meu amor haveria de
protegê-los contra os males de viver.
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