domingo, 9 de novembro de 2008

Pós-eleição - recebido por e-mail - autor desconhecido

VIAGEM AO BALATAL


Prestem atenção, meus amigos,
e vejam, como é que pode?
o “caboco” Amazonino,
tesudo que nem um bode,
em mais uma eleição,
fez barba, cabelo e bigode.


E como é da tradição,
talqualmente é o Natal,
aqui no nosso Amazonas,
descoberto por Cabral,
a turma dos derrotados,
é mandada ao balatal.


Isso é uma tradição,
que vem do tempo dos Maias;
lá, quem perdia eleição,
era amarrado na praia,
mas aqui houve mudanças,
no tempo do Álvaro Maia.


E conforme nossa cultura,
que é grande e fenomenal,
o Balatal de que falo,
equivale ao Seringal,
donde se extrai balata,
que é riqueza nacional.


A viagem é de barco,
que p´ra uns faz muito mal,
dura quase uns dez dias,
se não cair temporal,
muitos choram, outros reclamam,
“Como é longe o balatal”.


Também é obrigatória,
faça bem ou faça mal,
não adianta protestos,
nem fazer cara de mau,
quem resiste p’ra não ir,
se entende com a Federal.



OS PROTESTOS


Praciano não quis ir,
alegando imunidade,
e esculhambando o Negão
com muita severidade,
“Nesse barco eu não entro,
eu sou homem da cidade”
.
“Se ele não for eu não vou”,
disse o tal Luiz Navarro,
“também sou de carne e osso
e um cidadão bizarro,
até poderia ir,
mas de avião ou de carro.”



“Tô contigo e num abro”
gritou o Ricardo Bessa,
“essa viagem é um martírio,
a gente sofre à beça,
quem quiser que vá sozinho,
mas ‘papai’ não entra nessa.”



O Bisneto, solidário,
protestou com muito ardor,
“Isso é uma crueldade,
se me mandarem eu não vou,
e além de parlamentar,
sou filho de um senador".



“Calma, não briguem, amigos”,
disse o Sarafa bem perto,
“Se o balatal é ruim,
pior é ir p’ro deserto,
p´ra lá já foi gente boa,
como Eduardo e Gilberto”
.



O EMBARQUE


Diante desses protestos,
foi chamada a Federal,
que não quis ouvir desculpas
e etc. e tal,
e mandou que todos, juntos,
rumassem p’ro Balatal.


Por isso o TRE,
a quem coube decidir,
mandou que encostassem um barco,
na feira da Panair,
com mandado de prisão
p’ra quem não quisesse ir.


O nome do barco eu não sei,
e como diz o conselho
a ninguém eu perguntei,
p’ra num meter meu bedelho,
mas é nome conhecido,
parece “Plínio Coelho”.


Lula chegou de surpresa,
querendo a tudo assistir,
tava tão aborrecido,
que nem podia sorrir,
disse p’ro seu motorista:
“Direto p’ra Panair”


O primeiro a embarcar,
foi o querido Sarafa,
por questão de precaução,
levou arpão e tarrafa
e de água mineral
mais de trezentas garrafas.


O Praciano, importante,
culpou o seu marqueteiro,
também disse que perdeu,
só por falta de dinheiro,
mesmo assim foi embarcado,
levando seu mosqueteiro.


O Psol Ricardo Bessa,
na hora de entrar na lancha,
pensou na Heloisa Helena
e escorregou da prancha,
só ficou com hematomas
que não passam de u’as manchas.


O comunista Navarro,
com sua cara de nazista,
se apresentou sem bagagem,
p’ra não passar na revista,
só levou uma sacola
e a sua cartilha marxista.


E o Herbert Amazonas,
vocês sabem o que ele fez???
foi se esconder no porão
com toda sua altivez
e de lá ele gritava:
“Não me entroso com burguês”.


Quem criou uma confusão,
na hora de entrar no bote,
foi o velho Carrapeta,
cheio de dedo e fricote,
disse não dormir em rede
e pediu um camarote.



AS DESPEDIDAS

Na hora da despedida,
houve um grande alarido,
era menino chorando,
mulher beijando o marido,
não se ouvia outra coisa
senão soluço e gemido.


P’ra aumentar a confusão,
já generalizada,
chegou u’a mulherada
lá do Bairro do Alvorada,
cantando para o Negão,
“amigo de fé, camarada”.


Mais uma vez o Sarafa,
no furdunço quis dar fim:
“Tenham calma, bons amigos,
o balatal não é o fim,
de lá já ganhei medalha
de ouro, prata e marfim”.



“Lá a vida é tranqüila”,
prosseguiu mestre Sarafa,
“se come carne de sol
com manteiga de garrafa,
mas o fumo é proibido
como também a cachaça.”



Quando o barco apitou,
falaram alguns oradores,
uns fazendo seus protestos,
outros mostrando suas dores,
mas todos apavorados
com o balatal dos horrores.


Falou até um Ministro,
trajando camisa esporte,
“Tenham calma, companheiros,
isso faz parte da sorte,
a viagem é segura,
eu entendo de transporte!”



Também falou um senador,
da terra do Garantido:
“Isso é um castigo cruel
que não faz nenhum sentido,
ou Lula acaba com isso
ou eu mudo de partido.”



Logo falou seu colega,
que antes foi um suplente,
“Isso é uma tortura,
e vergonha p’ra nossa gente,
vou propor lá no Senado
uma mudança urgente”.



Maneca também falou,
franzindo sua cara brava,
mas aceitou o castigo,
sem demonstrar qualquer raiva,
mas disse para o Sarafa:
“Por essa eu não esperava”.


O PV Plínio Valério
discursou com nostalgia,
bendisse o balatal
em nome da ecologia:
“Lá eu ouço o rouxinol
e o canto da cotovia”.



Já o Evandro bateu forte,
que nem o tufão katrina,
também culpou o Negão
“por esta grande chacina"
e levou em sua bagagem,
só anzóis e lamparinas.


Dona Mariza falou,
e com muita erudição:
“Isso é uma cachorrada,
e grande esculhambação,
prometo a todos vocês,
um lugar no mensalão”.



O derradeiro a falar
foi o nosso Presidente,
não sem antes dar um arroto
e uma chupada no dente,
e consertar a garganta
com um gole de aguardente.


“Meus queridos companheiros,
que perderam a eleição,
eu só tenho a lamentar,
tamanha situação,
uma coisa lhes prometo
‘inda acerto esse Negão”



P´ra consolar os amigos
ante a tristeza geral,
puxou pelo verbo e disse:
“Isso é um castigo mortal,
vou falar p’ro Tarso Genro
p’ra acabar com o balatal”.



P´ra terminar ele disse:
“Esse Negão é infame”
e tomou uma taça cheia
de um saboroso champanhe,
“Vão em paz, meus companheiros,
que o Senhor lhes acompanhe!”



Políticos presentes


O Dudu esteve presente,
mas ficou longe do porto,
olhando desconfiado,
pensativo e absorto,
dizendo p’ros seus botões:
“esse Negão num tá morto”


O Arthur também foi lá,
e com muita polidez,
perguntou ao secretário:
“O que foi que o Omar fez?”
E sussurrou p’ro Bisneto,
“Muito em breve é a nossa vez”!


A Vanessa lagrimou,
ao ver o barco zarpar,
levando seus companheiros
sobre as águas do rio mar
ela disse p’ro Heron:
“a viagem é de lascar”


P’ra confortar os amigos,
falou o Zé Mário Frota:
“A viagem é um pouco longa,
eu já conheço a rota,
mas a temporada é curta,
logo vocês tão de volta”
.


Gilberto compareceu,
mesmo sem ter compromisso,
ao lado do Luiz Costa,
que também já tá sem viço,
a quem disse, assobiando:
“Também já passei por isso”


Quem também deu sua “brechada”,
foi o velho Pauderney,
de braço com uma dama,
cujo nome eu não sei,
mas ele disse p’ra ela:
“Nesse barco eu já andei”!


Lupércio esteve presente,
bem ao lado do Belão,
e tiveram calafrios
só em ver o “Batelão”,
e logo fizeram um acordo:
“Daqui p’ra frente é Negão”.


Beto Michiles foi lá,
e dizem que passou mal,
relembrando as suas “férias”
que passou no Balatal,
ou então sentindo falta
da Câmara Federal.


Quando a turma já viajava,
pouco distante do cais,
eis que aparece o Negão,
para dizer “Vão em paz”,
mas também fez um lembrete:
“daqui a dois anos tem mais”

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