Textos Zen
Parábola de Buda
Ao atravessar um campo, um homem encontrou um tigre.
Fugiu a sete pés, com o tigre atrás dele.
À sua frente encontrou um precipício em que acabou por cair.
Mas conseguiu agarrar-se à raiz de uma velha videira
e ali ficou pendurado, com o tigre a cheirá-lo.
Tremendo de medo, olhou para baixo e viu outro tigre, lá longe em baixo,
que o esperava, cheio de apetite.
Só mesmo a videira lhe estava a salvar a vida.
Mas apareceram dois ratos, um branco e outro preto,
que pouco a pouco começaram a roer a raiz da videira.
Foi só nesse momento que se apercebeu que,
mesmo ao pé da raiz, estava um morango apetitoso.
Agarrando-se à videira com uma mão, colheu o morango com a outra.
E nunca um morango lhe soube tão bem!
Temperamento
Um estudante de Zen foi ter com Bankei e queixou-se:
- Mestre, Tenho um temperamento ingovernável. Como posso curá-lo?
- Tens uma coisa muito estranha, replicou Bankei. Mostra-me lá então isso que tens.
- Neste preciso momento não lhe posso mostrar, respondeu o outro.
Acontece inesperadamente!…, respondeu o estudante.
- Então, concluiu Bankei, não deve ser a tua verdadeira natureza.
Se fosse, podias mostrar-me em qualquer altura.
Quando nasceste não o tinhas e não foram os teus pais que to deram.
Pensa nisso.
A estrada enlameada
Tanzan e Ekido caminhavam juntos numa estrada enlameada. Caía ainda uma chuva forte. Junto a um cruzamento da estrada, encontraram uma bela moça que não conseguia atravessar porque não queria sujar o belo kimono de seda que trazia.
- Anda moça, disse Tanzan imediatamente. E, carregando-a nos seus braços, atravessou-a para o outro lado da zona mais enlameada.
A partir daí, Ekido ficou calado todo o caminho que percorreram até à noite. Ao chegarem ao templo onde ficariam a pernoitar, Ekido não conseguiu se conter e disse a Tanzan:
- Nós os monges não nos aproximamos de mulheres. Especialmente se são jovens e bonitas. É perigoso. Por que fizeste aquilo? - Eu deixei a moça lá atrás, disse Tanzan. Tu ainda estás a carregá-la?
Tudo é melhor
Quando Banzan passeava num mercado, ouviu uma conversa entre o carniceiro e um cliente.
- Dê-me o melhor bocado de carne que tem, disse o cliente.
- Na minha loja tudo é o melhor, respondeu o carniceiro.
Não encontrará aqui nenhum bocado de carne que não seja o melhor!
Ao ouvir estas palavras, Banzan tornou-se um iluminado.
O meu coração arde como fogo
Soyen Shaku (1859-1919), um roshi, mestre do Zen-budismo japonês, (ch. laoshi) da escola Rinzai, disse um dia: «Meu coração arde como fogo. Mas meus olhos são frios como cinzas mortas». Ele propôs as seguintes regras de vida[9]:
De manhã, antes de vestir-se, acenda incenso e medite.
Coma a intervalos regulares e deite-se a uma hora regular.
Coma sempre com moderação e nunca até ficar plenamente satisfeito.
Receba as suas visitas com a mesma atitude que tem quando está só.
E, quando só, mantenha a mesma atitude que tem quando recebe visitas.
Preste atenção ao que diz e, o que quer que diga, pratique-o.
Quando uma oportunidade chegar, não a deixe passar,
mas pense sempre duas vezes antes de agir.
Não se deixe perturbar pelo passado. Olhe para o futuro.
A sua atitude deve ser a de um herói sem medo,
mas o coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor.
Ao retirar-se, ao fim do dia, durma como se tivesse entrado no seu último sono.
E, ao acordar, deixe a cama para trás,
instantaneamente,
como se tivesse deitado fora um par de sapatos velhos.
Copiado da wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zen-budismo#Par.C3.A1bola_de_Buda
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